quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Primeira Loja Maçônica de Mato Grosso do Sul

AS LOJAS NA PROVINCIA
- A primeira Loja Maçônica Provincial, no território de Mato Grosso, informação não confirmada totalmente, recebeu o nome de Razão e numero 4 e foi instalada em Cuiabá com carta constitutiva em 23 de novembro de 1831. Foi fundada pelo Grande Oriente Brasileiro e incorporada ao Grande Oriente do Brasil em 04 de fevereiro de 1832.
- Nesta ocasião era governador da província de Mato Grosso o engenheiro José Saturnino da Costa Pereira.
- Rusga de Cuiabá (Vila Bela X Cuiabá), os maçons nessa ocasião saíram da província de Mato Grosso rumo a Goiânia, onde fundaram uma nova Loja chamada Asilo da Razão.
- A segunda Loja no Mato Grosso recebeu o numero 215, foi fundada em 04 de dezembro de 1871 com o nome de Estrela do Ocidente e foi regularizada em 21 de março de 1872.
- Foi Venerável Mestre desta essa Loja o Irmão João Batista de Oliveira – “Barão de Aguapei” para o qual o Poderoso Irmão General Hermes Ernesto da Fonseca passou o governo da província de Mato Grosso em 1878.
- A terceira Loja provincial, que é a primeira Loja do hoje Estado de Mato Grosso do Sul, recebeu o numero 283, fundada em 1872 e regularizada em 07 de abril de 1874 na antiga Vila de Corumbá.
- Para seu primeiro Venerável Mestre, provisório, foi escolhido o então Coronel do Exército, o Respeitável Irmão Manuel de Almeida da Gama Lobo E’eça, depois notabilizado como “Barão de Batovi”.
- Segundo a tradição, os fundadores se reuniam na casa do português Antonio Joaquim da Rocha, no prédio de sua propriedade sito nas proximidades da Igreja Nossa Senhora da Candelária, na rua que hoje tem o nome de um dos heróis da Retomada de Corumbá, Marechal Antonio Maria Coelho. O prédio onde os maçons se reuniam trazia as cicatrizes da guerra, pois foi nele que fora instalado o Quartel General da tropa paraguaia, sob o comando do Coronel Cabral, um dos grandes amigos do ditador Solano Lopes.
- Em 7 de abril de 1874 a Loja elegeu sua primeira diretoria, constituída dos seguintes:
Venerável Cel. Manoel d’Almeida da Gama Lobo d’Eça
Primeiro Vigilante Antonio Joaquim da Rocha
Segundo Vigilante Antonio Carvalho Vieira
Secretário Joaquim Timotheo Ribeiro
Orador Vital de Souza Bittencourt
Tesoureiro Miguel Paes de Barros
Mestre de Cerimônias Joaquim Correa de Azambuja.

O BARÃO DE BATOVI
- Nascido em 15 de Abril de 1828, em Desterro, hoje Florianópolis/SC.
- Sentou praça aos 17 anos voluntariamente no 2° Batalhão de Infantaria da Corte.
- Militar valente e bravo, participou de várias campanhas internas do tempo da regência, campanha do Uruguai e Guerra do Paraguai.
- Terminada a Guerra do Paraguai, em novembro de 1871, é mandado servir em Mato Grosso, como comandante do 2° Batalhão de Artilharia à Pé, cumulativamente exercia o comando da fronteira de Mato Grosso, período em que permaneceu em Corumbá.
- Segundo consta foi iniciado na maçonaria na Loja Cordialidade no Rio Grande do Sul
- Em 1875, seguiu para o Rio Grande do Sul, transmitindo seu cargo ao seu substituto legal, o Primeiro Vigilante Antonio Joaquim da Rocha.
- Em 17 de abril de 1881, pelos bons trabalhos ao longo da carreira militar recebe o título nobiliárquico de “BARÃO DE BATOVI”.
- Em janeiro de 1883 foi nomeado Presidente da Província de Mato Grosso, assumindo em 1 de maio daquele ano.
- Em 8 de setembro de 1884 foi substituído pelo então General Floriano Peixoto, ocasião em que retorna ao Rio Grande do Sul como inspetor dos corpos da Infantaria e Cavalaria.
- Em junho de 1891 já no regime republicano foi graduado no posto de Marechal de Campo, pouco tempo depois, pede passagem para a reserva e vai viver em sua fazenda no município de São Gabriel.
- Em 1893 estoura o movimento federalista, que se espalha por todo o sul do Brasil. Batovi é acusado de alta traição, pelo Cel. Moreira Cesar, por não tomar partido como Marechal que era.
- Preso foi conduzido a fortaleza de Anhato-Mirim, onde sem respeito ao seu passado foi maltratado.
- No dia 25 de abril de 1894 foi fuzilado sob a justificativa de alta traição, sem que fosse julgado por qualquer tribunal.
- Ao carregarem as armas, por ordem do Tenente-Coronel comandante da escolta, este maçom e militar, numa atitude serena, cheia de grandeza e coragem, voltou-se para os soldados e disse:
“Camaradas, atirem sobre o coração para não me fazerem sofrer muito.”
- Seu filho, Dr. Alfredo da Gama D’eça, que fora ao local para ver o que ocorria, quando abraçado ao velho pai, recebia uma nova descarga de fuzilaria, que o postava também, morto, ao lado do pai.
Títulos:
- Foi comendador da Imperial Ordem da Rosa e da Imperial Ordem de São Bento de Avis, além de oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro.
- Barão de Batovi com honras de Grandeza: título conferido por decreto imperial em 28 de agosto de 1889. Faz referência ao antigo povoado uruguaio de São Gabriel do Batovi, devido aos seus préstimos militares na região.

NOSSA 2° LOJA MAÇONICA
- A segunda Loja do Mato Grosso do Sul foi fundada em Ladário recebendo o nome de Pharol do Norte em 29 de maio de 1875, regularizada em 14 de setembro de 1876 e sancionada em 18 de setembro de 1877.
- As origens da Loja Maçônica Pharol do Norte deve-se a Loja Maçônica Cruz, fundada em 27 de agosto de 1871, na residência do Capitão de Fragata José Marque Guimarães, na ilha do Cerrito, hoje pertencente a Republica Argentina e que durante a Guerra do Paraguai foi arsenal da marinha brasileira.
- Apesar de na lista de fundadores observar-se que a profissão de muitos estrangeiros estar registrada como “Artista”. Possivelmente eram oficiais da Marinha Inglesa que por estarem a serviço da Marinha do Brasil, ocultavam sua profissão verdadeira.
- Em 9 de maio de 1877 o então General Hermes da Fonseca recebeu o diploma de membro honorário.

Palestra proferida pelo Eminente Irmão Gessírio Domingos Mendes, Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil - Mato Grosso do Sul, em sessão magna realizada na ARLS 26 de Abril nº 2218 do GOB-MS, em outubro de 2008, ocasião em que homenageou o Comando Militar do Oeste pela data do seu aniversário.
Na ocasião foi agraciado com a medalha de honra ao mérito o comandante do CMO, General Rui Alves Catão.

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